Coleção Academia de Ciências da Rússia
Habitations des Apiacás Sur l'Arinos, aquarela pintada por Florence em 1828
Após dois séculos de contato com o homem branco, os índios Apiaká, originalmente distribuídos pelas margens dos rios Arinos e Juruena, em Mato Grosso, perderam o idioma, o modo de vida tradicional e se miscigenaram. Chegaram a ser considerados extintos em 1957, mas registra-se nos dias de hoje uma população estimada entre 500 e mil indivíduos, que vivem na margem direita do Rio dos Peixes (MT). A memória do grupo, evanescida pelas circunstâncias, foi recuperada graças ao fabuloso trabalho do artista francês Hercule Florence, que de 1825 a 1829 percorreu o interior do Brasil a bordo da monumental Expedição Langsdorff. “O jovem inquieto e apaixonado por viagens criou registros visuais e textuais detalhados e precisos sobre as paisagens, a flora, a fauna e as populações indígenas do Rio de Janeiro à Amazônia”, afirma Glória Kok, que, ao lado de Francis Melvin Lee, faz a curadoria da exposição O Olhar de Hercule Florence sobre os Índios Brasileiros.
“Os homens tatuam o rosto, tatuagem que é sempre a mesma em todos, enquanto a das mulheres é mais simples e uniforme. Além da do rosto, que parece uma distinção tribal, capricham os homens em desenhos do tipo, espalhados pelo peito e pelo ventre, em que predominam quadrados e ângulos retos, paralelos entre si.” Dessa forma o artista descreve os Apiaká, imortalizados na belíssima aquarela Habitation des Apiacás Sur l’Arinos (abril, 1828), cedida pela Academia de Ciências da Rússia.
O olhar de Florence sobre os índios é destituído das marcas do preconceito e da discriminação, explica a curadora, “na contracorrente da elite brasileira e europeia do século XIX, que os julgava como inferiores e o processo de mestiçagem, como degenerescência. É preciso frisar que ele sempre foi contra a escravidão”. A exposição traz desenhos inéditos do manuscrito L’Ami des Arts, fac-símiles do Carnet de Dessins, caderno de notas da Expedição Langsdorff, da Bibliothèque Nationale de France, reproduções da Academia de São Petersburgo, peças do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, obras do Instituto Hercule Florence e da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, além de fotografias do Instituto Socioambiental.
O Olhar de Hercule Florence sobre os índios brasileiros
Biblioteca Brasiliana Guita e José MindlinCidade Universitária, São Paulo. Até 30 de junho
Biblioteca Brasiliana Guita e José MindlinCidade Universitária, São Paulo. Até 30 de junho
Fonte: Ana Ferraz /Carta Capital
Postar um comentário
O Portal DN Notícias não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.
Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!