| Crédito: Divulgação |
Mas a combinação de demanda com bom preço produziu esse ano uma supersafra de castanha. “Este ano na região do Noroeste, nas florestas onde atuamos, a coleta já está próxima da metade, com cerca de 15.000 quilos já recolhidos. A expectativa é que o número ultrapasse os 30.000 quilos”, diz Veridiana Vieira, secretaria geral da associação PA Juruena, que conta com 38 famílias que juntas trabalham na coleta de castanha do Brasil. “O problema é que devido a falta de pontos de beneficiamento, todo esse excedente corre o risco de cair na mão de atravessadores. Não estamos encontrando compradores para o produto”, diz Vieira.
O bom preço causou um aumento no interesse dos coletores em toda a região, que passaram a intensificar a coleta nas florestas. A super-oferta do produto, porém, tem causado dificuldades na comercialização, pois a única cooperativa local com capacidade de processar o produto e exportá-lo não dá conta de receber o volume de produção. “Temos capacidade para processar 300 toneladas por ano, mas estamos investindo e nossa projeção é de 500 toneladas para 2017”, diz Paulo Nunes, coordenador do Programa Sentinelas da Floresta, uma parceria da Cooperativa Vale do Amanhecer (COOPAVAM) com o Fundo Amazônia. “Nosso objetivo é ampliar a escala de produção, valorizar ainda mais a amêndoa e o trabalho desta rede de organizações, garantindo a gestão destas áreas de coleta e a consequente conservação dos castanhais nativos e da floresta”, diz Nunes.
Cleide Arruda, gestora da ONF Brasil, filial brasileira de um dos mais importantes gestores de florestas públicas do mundo, diz que a atividade de coleta de castanha é fundamental para a geração de renda e manutenção das florestas em pé. “Com o passar dos anos essa atividade tem conquistado um papel importante na economia local e é vista por muitos como uma solução para conter o desmatamento”, diz Arruda. A ONF é gestora da São Nicolau, uma fazenda de 10 mil hectares utilizada para reflorestamento, sequestro de carbono e pesquisa científica. A fazenda todos os anos abre as portas para coletores de castanha do PA Juruena através do programa de interação local.
A expectativa dos coletores é encontrar novos compradores para o Produto. A dificuldade é que a maioria das associações do Noroeste só vende o produto in natura, ou seja, sem descascar e secar as castanhas, o que dificulta bastante a negociação com compradores maiores. “Nossa preocupação é que caso a gente não consiga vender essa safra, a qualquer momento os atravessadores possam voltar a atuar na região, oferecendo preços inferiores aos que são praticados no mercado hoje”, preocupa-se Veridiana.
Fonte: ONF Brasil
Postar um comentário
O Portal DN Notícias não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.
Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!