Em Mato Grosso, um caso suspeito da doença em um bebê de 9 meses é investigado em Tangará da Serra
Após registrar casos de sarampo desde 2018,
o Brasil perde a certificação de país livre da doença, conferido pela
Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). O certificado havia sido
obtido em 2016. Para perdê-lo, é preciso haver transmissão sustentada,
ou seja, a ocorrência de um mesmo surto por mais de 12 meses. Em Mato
Grosso, um caso suspeito da doença em um bebê de 9 meses é investigado
em Tangará da Serra (240 quilômetros de Cuiabá). Não tratada
devidamente, a doença pode levar à óbito.
Agora, o Ministério da Saúde informou que iniciará o plano para retomar o
título dentro dos próximos 12 meses. “Iniciamos a gestão, no atual
governo, com taxas de imunização muito baixas. Elas atingiram um pico em
2003, mas, no geral, de lá para cá caíram ano a ano até chegarem perto
de 80% no ano passado. Não é o patamar ideal. Temos que elevá-la acima a
95%”, afirmou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Segundo o ministro, o plano consiste em encaminhar medidas importantes
ao Congresso Nacional, como a exigência do certificado de vacinação, não
impeditiva, de ingresso na escola e no serviço militar. “Reforçaremos,
ainda, o monitoramento da vacinação, por meio dos programas de
integração de renda e como norma para os trabalhadores de saúde”,
afiançou.
As ações fazem parte de um conjunto de medidas que estão sendo
desenvolvidas para os primeiros 100 dias de governo. As medidas ainda
incluem a melhora nos sistemas de informação e monitoramento para
medidas de prevenção e controle; a ampliação das estratégias a adesão da
população à imunização; o acerto com estados e municípios estratégia
para fomentar a oferta local de salas de vacinação em horário
diferenciado; a instituição de uma “força tarefa” para apoiar os estados
e municípios na investigação e manejo de casos de doenças
imunopreveníveis e a realização de uma ampla campanha de multivacinação,
entre outra ações.
No país, em todo o ano passado, foram confirmados 10.326 casos,
distribuídos em 11 estados: Amazonas (9.803), Roraima (361), Pará (79),
Rio Grande do Sul (46), Rio de Janeiro (20), Sergipe (4), Pernambuco
(4), São Paulo (3), Bahia (3), Rondônia (2) e Distrito Federal (1).
Destes, oito estados já tiveram o surto encerrado, segundo o ministério.
Outros três, no entanto, ainda registram transmissão ativa do vírus:
Amazonas, Roraima e Pará. De janeiro a março deste ano, foram
confirmados 28 casos de sarampo nestes locais.
Já o caso em Tangará da Serra foi notificado no Bairro Vila Horizonte e
aguarda confirmação laboratorial. De acordo com a enfermeira chefe da
Vigilância Epidemiológica do município, Juliano Herrero, a criança
apresentou os sintomas no começo do mês e já havia passado por
atendimento médico. “No dia 07, ela foi avaliada na Clínica da Família e
a suspeita inicial era zika. Então, foi feita a coleta de sangue, que
foi enviado para Cuiabá”, disse no início desta semana.
Ainda na sexta-feira foi enviado ao município, o resultado da primeira
mostra do material que deu reagente para o sarampo. Porém, é aguardado
resultado complementar dos exames de sangue e urina, que estão sendo
realizados em laboratório de referência no Rio de Janeiro, para
confirmar ou não se é caso de sarampo.
“Como já temos enfatizado algum tempo, a população deve buscar atualizar
seu cartão vacinal. O Sarampo voltou a circular no Brasil desde 2018 e
desde então o ministério da saúde e secretarias estaduais e municipais
tem intensificado as ações para ampliação da cobertura vacinal. Essa
orientação cabe também a população de Tangará da Serra, onde a
secretaria municipal de saúde já emitiu comunicado a população
solicitando que as pessoas que não são vacinadas que procurem as
unidades de saúde para realização de vacina”, informou a Ses-MT.
Em Mato Grosso, dados da Ses-MT mostram que, em 2018, o estado atingiu
99,02% de cobertura vacinal contra o sarampo em uma população de
202.2016 meninos e meninas entre um ano a quatro anos de idade durante a
campanha nacional de imunização. Contudo, levando-se em consideração
apenas a faixa etária de um ano, o índice ficou abaixo do preconizado
pelo Ministério da Saúde (MS) que é de 95%. Nesta etapa de vida, de um
total de 53.508 crianças, 48.241 (90,16%) foram imunizadas. Em 2017, a
cobertura vacinal estadual da tríplice viral foi de 84%.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, podendo evoluir com
complicações graves e óbitos. A doença é transmitida por meio das
secreções expelidas pelo doente ao falar, tossir e espirrar. A vacina
tríplice viral é a medida de prevenção mais segura e eficaz contra o
sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba.
A vacinação é a forma mais eficaz e segura para prevenção de doenças
como o sarampo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente duas
vacinas que protegem contra o sarampo: a tetra viral que protege, além
do sarampo, contra a rubéola, caxumba e varicela, e é administrada aos
15 meses, e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), também aos 15
meses.
Fonte: Joanice de Deus, Diário de Cuiabá
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