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Os desdobramentos da delação do ex-governador Silval Barbosa são, não entrando no mérito da comprovação da veracidade, traumáticos. Políticos e empresários foram expostos, ridicularizados dentro de contextos que não sabemos exatamente quais foram. Além disso, as más notícias sempre alcançam uma plateia maior.
O momento requer cautela nas declarações, afinal não se sabe o que ainda pode vir pela frente. Os arranhões nas imagens devem ser gerenciados com rigor e profissionalismo.
Sobre erros, digo que ou assume ou nega, mas não se justifica. A verdade e a franqueza são, sim, estratégias de gerenciamento de crise de imagem e as explicações longas, prolixas e improvisadas apenas confundem.
Certa vez participei de palestras e treinamento de mídia com foco em restabelecimento de imagens pós crise com profissionais da Santa Fé Ideias, de Brasília. A rapidez e a quantidade de mídias disponíveis não era essa que se tem hoje e mesmo assim já se falava com o cuidado que devemos ter para que a opinião pública não seja irremediavelmente impactada com denúncias envolvendo nossos assessorados.
Vivemos hoje num mundo de tal forma interligado que o problema que em princípio, era de corrupção do ex- governador que se encontrava preso, adquiriu imediatamente uma dimensão extraordinária, resvalou de forma devastadora em vários outros personagens e ganhou visibilidade nacional.
A crise de imagem ameaça o mais importante ativo de uma pessoa pública: a sua reputação. É preciso agir rápido, retomar as atividades para que não ocorra a perda de confiança na relação entre o político e seus eleitores.
A característica mais perigosa da crise de imagem é a surpresa, os vazamentos intencionais e seletivos, notas plantadas, comentários ferinos em mídia de velocidade assustadora, como whatsapp.
Como elemento de profilaxia, é bom que o político se reconheça nesse ambiente de vulnerabilidade porque a repercussão de uma crise como esta deflagrada pela delação não pode passar sem providências quanto a versão dos fatos e má fé. É uma corrida contra o relógio para acessar as informações, refutá-las, fazer os encaminhamentos jurídicos e trabalhar a contra-informação.
Praticamente toda a literatura sobre crise de imagem de políticos, cita o caso do presidente Bill Clinton com MonicaLewinsky, 1998 como o marco da cobertura onipresente pela mídia moderna em torno de escândalos.
O então presidente negou veementemente que havia tido relações sexuais com a estagiária e essa mentira foi o passaporte para o agravamento da crise.
Pois havia prova: o fatídico vestido sujo com sêmen de Clinton. Depois disso veio a confissão e a operação que surpreendentemente restabeleceu a imagem do presidente diante dos políticos, dos eleitores e do povo americano.
Dez anos mais tarde, aqui no Brasil, um episódio de repercussão mundial envolvendo o jogador Ronaldo e 3 travestisnum motel, no Rio de Janeiro. Ainda na delegacia o craque negou a versão contada por um deles, mais tarde, ao descobrir-se gravado em imagens, o jogador e sua assessoria recolheram-se.
O caso acabou tomando outro rumo com a história da extorsão promovida pelo travesti que fizera a denúncia. Uma semana depois, a queixa foi retirada e Ronaldo abatido veio a público desculpar-se por haver se descuidado da imagem ao meter-se numa situação confusa, envolvendo, bebida, sexo e orgia.
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