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Silval_depoe_jardilliberdadeO ex-governador Silval Barbosa (PMDB) revela ter acertado propina de R$ 53 milhões com os conselheiros do Tribunal de Contas (TCE) para garantir andamento de obras do programa MT Integrado, com investimentos de mais de R$ 1 bilhão destinados à pavimentação de estradas em Mato Grosso.
Segundo Silval, após atraso no pagamento de propina, as obras chegaram a ser paralisadas pelo TCE, em decisão do conselheiro Sérgio Ricardo. As informações foram reveladas pelo MTTV 1ª edição, da TVCA, afiliada da Rede Globo, nesta quinta (24).
Diante disso, Silval prometeu quitar o restante até o fim de 2014, por meio de suplementação no duodécimo do Tribunal. Após o acordo, as obras foram retomadas.
Sérgio Ricardo, por sua vez, alega que as declarações do ex-governador são infundadas e que nunca se reuniu com ele para tratar sobre pagamento de propina.
Conforme a reportagem, a maior parte investida dos recursos, para o programa lançado em 2013, foi desviada. O MT Integrado foi considerado pelo ex-governador como maior programa de infraestrutura do Estado, destinado à pavimentação de mais de 2 mil km de estradas.
Silval afirmou à PGR que a fiscalização e liberação da verba foram fraudados. À época, o responsável pela secretaria de Infraestrutura era Cinésio Nunes de Oliveira, que foi indicado pelo então deputado federal Wellington Fagundes (PR), hoje senador. 
O ex-governador disse que sofreu pressão de Welington pelo pagamento de vantagens indevidas e, por isso, autorizou Cinésio a repassar percentual da propina para construtoras que atuavam no MT Integrado. Wellington alega desconhecer as acusações de Silval e que o dinheiro arrecadado em campanha foi aprovado na prestação de contas.
Blairo
O peemedebista conta também que o pagamento de vantagens ilícitas aos conselheiros ocorreu na gestão do antecessor e padrinho político Blairo Maggi (PP), atual ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).
As revelações de Silval coadunam com a delação premiada do ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf. Segundo ele, mais de R$ 50 milhões foram pagos aos conselheiros Sérgio Ricardo, José Carlos Novelli, Valter Albano, Antonio Joaquim, Waldir Teis, e não receberam os valores ilícitos o substituto de Humberto Bosaipo, no qual Nadaf não se recorda o nome, e Campos Neto. À época, o TCE emitiu nota negando veementemente as acusações feitas por Nadaf.
Como se deu pagamento
De acordo com a reportagem, Novelli teria exigido o pagamento de R$ 53 milhões por meio de 36 notas promissórias. A propina teria saído da empresa Gendoc, responsável pela digitalização, arquivamento e acondicionamento de documentos, que tinha contrato com o Estado de R$ 50 milhões. Do montante, teriam sidos pagados de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões em propina. A outra parte, R$ 15 milhões, teria saído de uma desapropriação no bairro Renascer.
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