Imagem:Reprodução Ilustrativa
Paulo Victor Fanaia Teixeira
Uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou um cenário alarmante para os tabagistas em Mato Grosso: 69% do mercado de cigarros de Mato Grosso é dominado por marcas ilegais, produtos sem registro e contrabandeados do Paraguai. A crise, que afeta não apenas a qualidade do consumidor de tabaco no Brasil, também atinge diretamente a econômica, que já deixou de arrecadar quase R$ 280 milhões em impostos.Encomendada pelo Movimento em Defesa do Mercado Legal Brasileiro, coalizão que reúne mais de 70 entidades representativas de setores afetados pela ilegalidade no Brasil, a pesquisa revela um panorama crítico em relação à atuação dos governos brasileiro e paraguaio no combate ao contrabando entre os dois países. O Datafolha ouviu cerca de dois mil pessoas em 130 municípios de pequeno, médio e grande porte de todas as regiões do Brasil.
Os números evidenciam que parte do mercado de cigarros em Mato Grosso não é regulado, não gera empregos, não paga impostos e ainda é responsável pelo financiamento do crime organizado e do tráfico de drogas e armas. Além disso, vale destacar que apenas em 2016, a evasão fiscal relacionada ao contrabando de cigarros no Mato Grosso somou R$ 276,9 milhões.Segundo a pesquisa, para 77% dos moradores do Centro-Oeste, as autoridades brasileiras não atuam de forma efetiva na fiscalização das fronteiras e quase 80% acreditam que o governo paraguaio também é incompetente nessa vigilância.Entre os entrevistados da região que acreditam que os paraguaios não adotam medidas para conter o problema, 75% avaliam que isso acontece porque políticos e autoridades lucram com esse tipo de negócio.A pesquisa também apontou que 84% dos moradores do Centro-Oeste veem ligação entre contrabando de cigarros, o crime organizado e o aumento da violência no Brasil. Os esforços do governo brasileiro para coibir a entrada de cigarros paraguaios no Brasil são reprovados, e o apoio a sanções contra o Paraguai recebe apoio de 59% dos entrevistados na região.
Estudo de Caso:
O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, é dono da maior fabricante de cigarros do país, a Tabacalera del Esteque produz o cigarro Eight, uma das marcas mais vendidas no país. Mais de 51% dos entrevistados do Centro-Oeste conhecem a marca, e o percentual é de 48% entre os brasileiros de 16 a 24 anos, mostrando a força do contrabando entre os mais jovens, atraídos pelo baixo preço.
O crescimento exponencial do contrabando tem acontecido por uma combinação de fatores: aumento de impostos, crise econômica e fragilidade das fronteiras. Atacar o contrabando é uma medida extremamente efetiva para a recuperação econômica e colabora diretamente com o fim do tráfico e do crime nas cidades. “É imperioso aumentar a vigilância nas fronteiras, por parte dos governos de ambos os países, e, no caso paraguaio, os brasileiros também veem omissão motivada pelo fato de autoridades e políticos do país vizinho serem beneficiários do contrabando de cigarros para o Brasil”, afirma Edson Vismona, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e coordenador do Movimento.
Contrabando e Violência:
O executivo lembra que o comércio de cigarros contrabandeados no Brasil é dominado por organizações criminosas. Vismona também pontua que, apesar de importantes, políticas de restrição ao cigarro devem ser equilibradas, sob risco de estimular ainda mais o contrabando do produto.“O excesso de impostos para o setor é um dos fatores decisivos no crescimento do contrabando de cigarros no país, já que as marcas paraguaias chegam a custar menos da metade do preço mínimo estabelecido por lei no Brasil”, lembra o presidente da entidade.
* com informações FSB Comunicação.
Fonte: Olhar Direto
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