As interceptações clandestinas teriam sido feitas entre outubro de 2014 e agosto de 2015, dentro de uma investigação da PM sobre tráfico de drogas. Porém, além dos números dos supostos integrantes da quadrilha investigada, foram juntados outros telefones de pessoas que não tinham relação com o crime.
O celular do médico perito do Instituto de Medicina Legal (IML) de Alta Floresta, município a 800 km de Cuiabá, Paullineli Fraga Martins, foi um dos grampeados no esquema, sob a alcunha de “Nelinho”. Ao G1, ele relatou que passou a trabalhar como perito no município há dois anos, após ser aprovado em concurso público, e que não fazia ideia de que seu número havia sido interceptado. “Eu não imaginava isso. Não vejo motivo algum para ser grampeado e não sei porque o governo teria algum interesse pela minha vida pessoal. Estou realmente surpreso. Não tenho qualquer interesse político, não tenho amizade ou convivo com ninguém do governo. Isso é um abuso e eu vou procurar assistência jurídica para me defender dessa situação”, afirmou.
O médico ginecologista Hélio Pereira de Lima Junior, que atua em Cuiabá, também teve o telefone interceptado clandestinamente. Ele, que trabalha em uma empresa que presta serviço para o governo do estado, disse ter sido surpreendido com a informação. “Nunca desconfiei de que poderia estar nessa lista. Não tenho amizade alguma com pessoas do governo, não frequentamos os mesmos círculos sociais e não faço ideia da razão pela qual teriam grampeado o meu número”, disse.
A reportagem tentou contato com os outros dois médicos que também constam na lista de celulares grampeados, mas as ligações não foram atendidas.
Investigação
A Procuradoria Geral da República (PGR) apura se o governador tinha conhecimento dos grampos, assim como quando esse esquema de escutas clandestinas teve início e se ainda continua.
O ex-secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, disse ter entregue ao governador documentos que comprovavam a existência de "escritório clandestino de espionagem", para que o caso fosse investigado. "Em outubro de 2015, levei essa documentação ao conhecimento do governador. Ele viu que tinha o envolvimento de pessoas muito próximas a ele, inclusive secretários", afirmou.
No entanto, o governador negou ter recebido essa documentação. "Não recebi essa documentação do promotor Mauro Zaque", pontuou. Afirmou que agora determinou ao atual secretário de Segurança do estado, Rogers Jarbas, que apure o caso.
Quanto ao protocolo do documento apresentado por Zaque, o governador disse ter constatado que existe um processo no governo com o mesmo número, mesma data, mesmo horário, mesmo código de barra, mas que se trata de manutenção de estradas no interior do estado.
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