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VINICIUS LEMOS 

Para a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, a prisão que mais causou estranheza foi a do ex-deputado estadual José Geraldo Riva, durante a primeira fase da “Operação Imperador”. Responsável pelas prisões de diversos políticos do Estado, a magistrada revelou que já chegou a votar em alguns dos nomes que mandou prender. O decreto de prisão de José Riva, que mais surpreendeu a juíza, foi proferido em 21 de fevereiro de 2015, na operação que apura suposto esquema de desvios na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), durante o período em que o ex-deputado era presidente da instituição.  As fraudes teriam causado prejuízo de R$ 62 milhões na Casa de Leis.

Conforme a magistrada, a prisão de Riva causou estranheza, pois foi o primeiro político de renome preso a mando dela. “Foi difícil decretar a primeira prisão do ex-deputado José Riva, pelo nome, pelo poder e pelos anos em que ele exerceu a legislatura. Isso choca muito a gente como pessoa, como cidadã, ter que decretar a prisão preventiva de um ex-governador, de um ex-presidente da Assembleia”, disse, em entrevista ao programa “Ponto de Vista”, exibido no último domingo (19), na TBO.

“Isso surpreende porque, no fundo, a gente tem aquele sonho de que as pessoas são honestas, estão fazendo pelo povo”, completou.

Após a prisão de Riva, posteriormente outros nomes da política  do Estado também foram presos a pedido da magistrada, entre eles o ex-governador Silval Barbosa e diversos ex-secretários. “Em alguns desses políticos, eu votei. Então, é difícil tomar uma atitude dessas. Mas faz parte da função, a gente não tem muito o que discutir, temos que discutir critérios técnicos e fazer o que tiver que ser feito”, relatou.

Em relação ao ex-chefe do Executivo Estadual, Selma Arruda garantiu que não tem conhecimento sobre uma possível delação premiada. "Se isso está sendo negociado, não é do meu conhecimento. Mas devo adiantar que, caso isso aconteça, e a colaboração envolver pessoas com foro privilegiado, ela não deve ser homologada na minha Vara, mas no Tribunal Superior. Então, não passa por mim”, explicou.

ÓRGÃOS FISCALIZADORES

Em relação às fiscalizações feitas durante a gestão de Silval Barbosa por órgãos fiscalizadores, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público Estadual (MPE), a magistrada pontuou que os esquemas criminosos eram ocultados pelo grupo e não eram identificados durante as análises sobre o governo anterior. "Às vezes as pessoas não compreendem como podem aprovar contas e ter tantas fraudes acontecendo. É porque, no papel, as coisas estão regulares. Na verdade, o TCE não vai até o órgão para olhar se determinado serviço está sendo prestado ou não”.

“O que acontece é que o processo vai para lá com a licitação, que foi regular, na qual ganhou fulano, mas os bastidores disso não vão para o papel. Se aquele serviço foi ou não prestado, não vai para o papel. Não é que os órgãos de controle não têm funcionado corretamente, é que a corrupção é exatamente isso, fazer as coisas nos bastidores, por debaixo do pano”, pontuou.

Segundo Selma Arruda, grande parte das fraudes na gestão anterior somente foram descobertas após a regulamentação da delação premiada. “O que acontece é que a edição da Lei, que combate o crime organizado, previu e regulamentou a colaboração premiada somente no final de 2013. Por meio dessa Lei é que se passou a ver as coisas, por meio das pessoas que revelam aquilo que o papel não conta. Ninguém entrega recibo de corrupção. Então, a gente inaugurou uma fase nova, com a colaboração”, argumentou.





Fonte: Folhamax
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