A crise econômica brasileira não congelou e/ou reduziu o crescimento do Sicredi. Segundo levantamento da cooperativa, no primeiro semestre deste ano, houve aumento de 27,9% em todo o país nos resultados da instituição, na comparação com mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 899,8 milhões.
Os ativos, por sua vez, atingiram a marca dos R$ 62,1 bilhões, num crescimento de 24,6% no comparativo com o primeiro semestre de 2015. Os dados foram repassados por Edson Nassar, CEO do Banco Cooperativo Sicredi a 45 jornalistas, de todo o país, durante press trip do dia internacional do crédito, comemorado no próximo dia 20. “O país do tamanho do Brasil, não dá para você ficar pensando só na crise. Não fechamos nenhuma carteira (de crédito) e não somos otimistas sem ter um cálculo”, frisa.
Tanto otimismo se explica pelo fato do setor estar em franca ascensão. Aos poucos, mais conhecido e com a ampliação de produtos – oferecendo os mesmos dos grandes bancos – o cooperativismo ganha espaço no Brasil.
Junto ao Sicredi, Sicoob e Unicredi estão entre as empresas mais fortes do ramo, além da Cecred e Confesol (representando as centrais Cresol, Ecosol e Crenhor). “O posicionamento que a gente tem hoje no Brasil é de que o entendimento e participação no sistema nacional é muito acanhado”, avalia Edson.
Para se ter uma ideia, segundo dados de 2015 do Woccu (Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito), há 60.500 cooperativas de crédito no mundo, presentes em 109 países, nos seis continentes. Juntas, elas reúnem 223 milhões de associados.
No Brasil, são 1.100 Cooperativas de Crédito, 38 Centrais Estaduais e 4 Confederações. Segundo o Portal do Coorporativismo Financeiro, atualmente a rede de atendimento das cooperativas no Brasil representa 18% das agências bancárias do país, enquanto que os depósitos totais administrados ultrapassam 5% do total.
São 8,9 milhões de associados, sendo que o número dobrou nos últimos cinco anos, de acordo com o Banco Central (BC). Atualmente, apenas o Sicredi, em todo o Brasil, tem 3,3 milhões de associados.
Uma das mudanças que tem ajudado neste processo é o fato do sistema deixar de ser visto como “rural” e se reinventar para atender a todos os públicos, incluindo os adeptos às tecnologias que facilitam a operação.
O principal diferencial desse ramo financeiro continua sendo o fato dos clientes serem também sócios do negócio, tendo direito, inclusive, aos lucros. “Hoje nós temos 12 milhões de cooperados em todo o país e nem todos eles são associados em cooperativas de crédito. Então, só aqui, a gente já tem uma oportunidade imensa”, salienta o Ceo do Sicredi, sobre o cenário nacional.
Depois, completa: “fazer a marca ser mais próxima e com produtos compatíveis, mas com um desafio. Não é só abrir conta corrente, é associação, mostrar para ele o cooperativismo e esse novo jeito de fazer”.
Para Edson, o mercado é grande e o modelo do cooperativismo é atrativo. “Nunca teve nenhuma cooperativa do Sicredi que quebrou ou teve algum problema”. Ele ressalta que o patrimônio líquido é de R$ 9,9 bilhões, enquanto que os ativos administrados somam R$ 62,3 bilhões.
A expansão da cooperativa ocorre em todo país, por meio de um planejamento estratégico como é o caso da implantação de uma unidade do Sicredi na avenida Paulista, coração da economia brasileira.
No país, o Sicredi tem atividade em 211 cidades, estando presente em 20 Estados. São 1,5 mil pontos de atendimento, sendo que a expectativa é de que o número chegue a 1,6 mil até o final do ano. No Brasil, há mais de mil cooperativas e 5.500 postos de atendimento, de acordo com dados do BC.
Centro Norte
Neste cenário, Mato Grosso tem um papel importante. Representa hoje cerca de 80% de todas as atividades do Sicredi na regional Centro Norte, que obteve um crescimento de 5,18% (2014/2015) em relação aos ativos que chegaram à marca de R$ 7,1 bilhões, mesmo valor já alcançado em 2016.
Para se ter uma ideia, dos 134 municípios de atuação da Centro Norte, 111 são em Mato Grosso, 16 no Pará e 7 em Rondônia. O número de associados na região também tem crescido.
Em 2013, eram 283 mil e, neste ano (julho), chegam a 348 mil. Num comparativo entre 2014 e 2015, o crescimento foi de 5,18%, pulando de 321 mil para mais de 337 mil. As chamadas sobras líquidas (doações recebidas + juros ao Capital) – recursos que retornam para os cooperados e/ou são aplicados em projetos sociais – também têm avançado.
No comparativo entre 2014/2015 a elevação foi de 2,44%, subindo de R$ 266,7 milhões para R$273,2 milhões. Apenas neste ano, até julho, já haviam sido registrados R$ 141,1 milhões. Os recursos totais, por sua vez, tiveram um incremento de 10,34% nos últimos dois anos, passando de R$ 4,31 bilhões para R$ 5,04 bilhões. E, até julho, a soma já havia chegado a R$ 6,7 bilhões.
Crise
Segundo o presidente Centro Norte, João Carlos Spenthof, o momento é de ampliação do cooperativismo, mas a população se mostra receosa em fazer investimentos.
Ele pondera que em Mato Grosso, Pará e Rondônia houve neste ano um aumento de 20% nos depósitos. “A carteira de crédito vem se mantendo em níveis de estagnação, tendo em vista que investidores estão aguardando um momento mais favorável e sinais de melhora efetiva do cenário econômico”, pontua.
Ele prevê, entretanto, um crescimento de 10% do crédito para o ano que vem. O CEO Sicredi, por sua vez, ressalta que a cooperativa, de forma geral, tem mantido os investimentos, apesar da crise.
Edson reconhece, todavia, que, em alguns cenários, é necessário ajustar a carteira e ser mais seletivo. “Não desaceleramos. Estamos abrindo mais agências e, às vezes, sendo seletivos em alguma praça. Mas, nunca fechar carteira e parar”. Um dos sinais positivos, para ele, é a taxa de inadimplência, hoje de 2,46%.
Patrícia Sanches Rdnews
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