Dois dias após a prisão dos acusados de matar seus dois filhos, o pecuarista Gilmar Wons, de 50 anos, ainda se diz inconformado com a dor da perda e teme que os suspeitos sejam soltos.
Patric Wons, de 27 anos, e seu irmão Pablo Renan Wons, de 20, foram assassinados no dia 29 de junho, enquanto trabalhavam na fazenda que a família arrendava, no distrito de São José do Apuy, em Nova Monte Verde (968 Km ao Norte de Cuiabá).
Nesta sexta-feira (22), Gilmar concedeu sua primeira entrevista à imprensa desde o dia do crime.
Ao MidiaNews, ele afirma que, apesar dos suspeitos estarem atrás das grades, a sensação de insegurança ainda é grande. Ele pede que a justiça seja feita e que os acusados permaneçam atrás das grades.
“A justiça deveria ser mais rigorosa. Meus filhos morreram trabalhando. Sei que não tinha como a polícia estar lá para evitar, mas já que pegaram, eu espero que façam a coisa certa e os deixem na cadeia. Espero que não aconteça o que está acontecendo em Alta Floresta, que estão pegando bandidos e colocando na rua. A nossa segurança é zero, não tem nenhuma”, disse.
Gilmar foi quem encontrou os corpos na fazenda, após estranhar a demora dos filhos em retornar para a casa. Ele afirma estar muito abalado, mas diz que não sente desejo de vingança.
“A gente só quer que continuem presos e não saiam para fazer com outras famílias o que fizeram conosco. Essas pessoas que fizeram isso com meus filhos têm que morrer na cadeia. Eles não têm sentimento por ninguém; são uns monstros”.
O pecuarista afirma que a família sente medo porque ouve comentários de que existem mais pessoas soltas da mesma quadrilha.
“Eu me pergunto: o que nós somos nesse país? Principalmente nós, trabalhadores, porque vem um vagabundo desses e ganha proteção da justiça. Se é menor de idade, pode matar uma pessoa que sai impune. A sensação que nós temos é que vivemos numa terra sem lei. Como podemos ter segurança com uma lei dessas?”, questionou.
“Nós não temos palavras para descrever a nossa dor. Só Deus para nos dar força para continuar. Não desejo que nenhum pai e nenhuma mãe passem pelo que passamos. Meus filhos nunca fizeram nada para ninguém. O mais velho deixou uma filha de apenas 50 dias de vida. O mais novo estava na flor da idade. Criei para serem honestos e humildes. Essa dor pode até passar, mas a ferida nunca vai fechar”, disse.
Dia do crime
As vítimas trabalhavam em uma fazenda arrendada pela família há 10 anos tinham o costume de sair todos os dias às 5h e voltar no final da tarde.
Com a demora dos irmãos para retornar, o pai foi até à fazenda procurar os filhos e, logo na entrada, encontrou o retrovisor de uma caminhonete quebrado.
Os corpos estavam dentro de um dos quartos da fazenda e foram colocados debaixo da cama pelos criminosos, no intuito de tentar escondê-los.
Quadrilha presa
Quatro pessoas foram presas suspeitas pelo latrocínio. Segundo as investigações, os assassinos seriam integrantes de uma quadrilha especializada em roubos que atuava em Alta Floresta e região.
A Polícia Civil acredita que as vítimas tenham sido mortas por terem visto os rostos dos assaltantes.
Os suspeitos A.O.G., de 20 anos, o “Maradona”, e A.A.S., 30, tiveram os mandados de prisão cumpridos na segunda-feira (18). No mesmo dia, o menor W. S. D. A., 17, foi apreendido em um flagrante de furto.
Na noite de quarta-feira (20), o último integrante do grupo, A.L.O.A., 20, também teve a prisão cumprida.
Fonte:MidiaNews
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