Mais seis testemunhas prestaram depoimento na tarde desta sexta-feira (8), durante a 4ª reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), realizada em Alta Floresta (774 quilômetros de Cuiabá) e que investiga o fechamento de plantas frigoríficas no estado de Mato Grosso. Estiveram presentes os deputados Ondanir Bortolini - Nininho, José Domingos Fraga, respectivamente, presidente e relator da CPI, além dos parlamentares Eduardo Botelho e Pedro Satélite.
Em seu depoimento, o prefeito de Nova Monte Verde, Arion Silveira, afirmou que o fechamento do frigorífico da Arantes Alimentos - em outubro de 2010 - afetou todos os setores econômicos do município, principalmente porque muitas empresas envolvidas nessa cadeia produtiva foram atraídas com a instalação da planta, ainda no ano de 2006.
“Teve um reflexo muito negativo para a nossa cidade, muitas pessoas perderam seus empregos e foram embora do município. Não sabemos o porquê do fechamento, uma vez que temos um rebanho na região de 1,5 milhão e profissionais capacitados. Para instalação da planta, a prefeitura chegou a fazer a doação de terreno, serviços de terraplanagem e viabilizou energia elétrica e telefonia”, afirmou Arion.
O prefeito informou ainda que a planta em questão voltou a funcionar como Brasfri e com pouco mais de um ano houve novo fechamento. “O abate passou a ser feito em Alta Floresta, Nova Canaã do Norte, inclusive em locais mais distantes e até fora do estado”, pontuou.
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Carne e Laticínio do Portal da Amazônia, José Evandro Navarro, destacou que houve problemas de pagamentos com a Arantes Alimentos e a Brasfri, além de férias coletivas dos trabalhadores das plantas da JBS em Alta Floresta e de Colíder, num possível indicativo de que fechariam as portas.
O dirigente sindical ainda informou que quando as plantas da JBS foram fechadas, em Colíder e Matupá, elas operavam com capacidade normal e não tinham prejuízos porque havia animal para abater.
“Não houve uma tentativa de negociação antes da dispensa dos trabalhadores, simplesmente fecharam às portas nesses municípios. Em Matupá fui comunicado por telefone, tentei fazer alguma tratativa, mas disseram que a planta seria paralisada. Com a Brasfri também não houve negociação”, declarou Navarro.
Para ele, o fechamento das plantas da JBS em Mato Grosso foi uma retaliação devido ao corte do benefício fiscal e bloqueio das contas do grupo. Explicou ainda que esse grupo se esquiva para não pagar insalubridade aos trabalhadores. “É uma tentativa de domínio de mercado, onde quem paga o prejuízo são os produtores, os trabalhadores e o Governo do Estado”, denunciou.
O produtor rural de Nova Monte Verde, Nério Humberto Nunes de Assis, também prestou esclarecimentos à CPI e afirmou que com o fechamento de uma planta frigorífica no município, passou a fazer abate de boi em Guarantã do Norte, a uma distância de 400 quilômetros.
“Isso barateia a arroba do boi, pois distâncias mais longas provocam mais lesões na carcaça do animal em pé. Ou seja, passamos a ser refém da formação de preço e o mercado é dominado pelo JBS em Mato Grosso e existe um monopólio para abaixar o preço do boi”, declarou.
Também prestaram depoimento a vereadora por Nova Monte Verde, Eliana Klitzke Lauvers e o proprietário do frigorífico Alvorada, Vander Paula Mello. Já o representante da Quatro Marcos Ltda, Sebastião Douglas Xavier comunicou à CPI viagem à Montevidéu, marcada antes de ser comunicado da convocação. O seu depoimento será redesignado para data futura.
Já o representante da Brasfri, Aderbal Luiz Arantes Júnior, não justificou ausência e ele será intimado pessoalmente, com auxílio da Polícia Civil e, caso não compareça, a CPI determinará, mediante decisão colegiada, a sua condução coercitiva. A condução coercitiva tem respaldo na lei federal 1.5 79/52, combinado com o art.218 do Código de Processo Penal.
SANDRA COSTA/ Secretaria de Comunicação
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