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Ao menos 240 gestantes da região de Colíder, cidade a 648 km de Cuiabá, podem ter tido que deixar a cidade nos últimos dois meses para realizar o parto em outras cidades da região, percorrendo pelo menos 120 quilômetros, devido à paralisação dos setores de obstetrícia e pediatria no Hospital Regional de Colíder. A suspensão dos serviços nessas duas especialidades básicas se deve ao não pagamento dos médicos, que deveria ser realizado com dinheiro repassado pelo governo do estado ao hospital. A Secretaria estadual de Saúde (SES) alega que os pagamentos estão pendentes porque ainda aguardam a conclusão de processos burocráticos. Referência na região Norte de Mato Grosso, o Hospital Regional de Colíder atende a população de 11 municípios – aproximadamente 100 mil pessoas. Com a paralisação dos setores de obstetrícia e pediatria, as gestantes têm se dirigido para municípios das imediações para a realização do parto, como Sinop, Peixoto de Azevedo e Alta Floresta. O deslocamento (de, no mínimo, cem quilômetros) é feito com carros particulares, de ônibus, com carros da Prefeitura ou até mesmo de avião – para casos de risco.

Segundo o pediatra Antônio Batista de Queiroz, cuja empresa atuava no Hospital Regional de forma terceirizada com quatro médicos na área de obstetrícia e pediatria, a unidade vinha realizando até novembro de 30 a 40 partos por semana, sem auxílio de equipamentos básicos, como os de respiração artificial, o que já vinha agravando os riscos da atuação dos profissionais. Depois de passar os meses de agosto, setembro e outubro sem pagamento por parte do hospital, Queiroz conta que a empresa deixou os serviços na unidade. “Nós estávamos pagando para trabalhar”, relata, lembrando que chegou a registrar dois boletins de ocorrência preventivos para o caso de ser responsabilizado por exercício da profissão sem o devido aparato no hospital.

A ausência de repasses e, consequentemente, de pagamentos ao médicos também estaria atingindo outros setores do Hospital Regional de Colíder, segundo Queiroz. Ele relata que áreas como a ortopedia estão sofrendo atrasos há cinco meses. Com base no relato sobre a unidade, entidades como o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed) e a Associação dos Médicos de Mato Grosso estão tentando nesta semana obter uma audiência com o secretário estadual de Saúde, Eduardo Bermudez, e com o governador Pedro Taques (PSDB) para buscar uma saída para a crise, mas sem sucesso até o momento.

Pagamentos pendentes

Procurada, a SES esclareceu, por meio de nota, que a direção do hospital de Colíder está providenciando a transferência das gestantes. A secretaria também explicou que os pagamentos atrasados de parte dos médicos da unidade - referentes aos meses de agosto, setembro e outubro – estão ainda dependendo de auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS) devido a supostas “inconformidades administrativas”. A SES informou que também há pagamentos pendentes dos meses de setembro, outubro e novembro que ainda dependem da tramitação dos processos que confirmam a prestação dos serviços contratados pela SES junto às empresas terceirizadas. A documentação referente a esses serviços, alegou a secretaria, foi enviada somente em dezembro, quando o orçamento do ano de 2015 já se encontrava fechado. Agora, estão em andamento os processos de empenho, liquidação e pagamento de novembro. Já os serviços com notas datadas do mês de dezembro ainda dependem do envio da documentação apropriada, afirmou a SES.

 



Fonte: G1 MT
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