O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que problemas como o ocorrido em uma aldeia indígena de Juína (735 km de Cuiabá), na última semana, quando dois jovens foram assassinados na região, são fruto da “incompetência” do Governo Federal.
Marciano Cardoso Mendes, de 27 anos, e Genes Moreira dos Santos, de 24 anos, estavam desaparecidos desde o dia 9, após supostamente "furarem" um pedágio que é controlado pelos índios enawenê-nawê, na BR-174, no sentido Juína/Vilhena-RO.
Os corpos dos dois rapazes foram entregues à Polícia Civil no sábado (12) pelos indígenas, depois de horas de negociação intermediada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Polícia Federal.
“Precisamos entender que, no Brasil, a questão indígena precisa ser resolvida e essa é uma questão de competência da União. Mas, a incompetência do Governo Federal não resolve”, disse Taques.
O governador lembrou que o crime supostamente ocorreu na BR-174, onde o Estado de Mato Grosso não possui qualquer ingerência.
Precisamos entender que, no Brasil, a questão indígena precisa ser resolvida. E essa é uma questão de competência da União. Mas, a incompetência do Governo Federal não resolve nada
“A questão, neste caso, é que o pedágio também é na BR-174. O Estado de Mato Grosso não tem nenhuma ingerência na rodovia. A reserva indígena, de acordo com o artigo 20 da Constituição, é um patrimônio da União. Então, o Estado não pode entrar”, afirmou.
Ainda assim, Taques disse que as polícias Civil e Militar estão auxiliando a Polícia Federal, da forma como podem.
“O processo, neste caso, quem investiga é a Polícia Federal. Mas o Estado não pode ficar sem fazer nada. A PM e a Polícia Civil estão ajudando no caso. A PM se colocou à disposição da PF. As reuniões foram dentro da delegacia da Polícia Civil de Juína. E o máximo que posso fazer, além de tentar confortar as famílias”, disse.
“Fui a Juína, conversei com familiares das duas vitimas do duplo homicídio. Quando fui até lá, os corpos ainda não tinham sido encontrados. No dia em que aconteceu o sumiço, conversei com o ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, pedi a ele que mandasse um delegado de Polícia Federal para cuidar do caso, porque o Estado não pode entrar na área, já que se trata de uma reserva indígena”, completou.
O caso
Marciano e Genes saíram de Juína na manhã de quarta-feira (9), com destino a Rondônia, para comprar roupas para serem revendidas na loja de um deles, na cidade.
Há a suspeita de que um dos jovens teria disparado tiros contra uma placa da rodovia, após verificarem o bloqueio dos indígenas.
Depois dos disparos, os homens teriam sido pegos por índios que realizavam a cobrança de pedágio e levados para uma aldeia da região.
A Polícia Federal solicitou a prisão de três índios enawenê-nawê, que estariam ligados ao assassinato os jovens.
As solicitações atendem a uma medida cautelar solicitada pelo delegado federal Hércules Sodré, responsável pelo caso.
Inicialmente, os índios afirmaram que não executaram os jovens. Alegaram que apenas os encontraram mortos, dentro da reserva indígena.
Depois, segundo a PF, eles disseram que "toda a tribo" participou do crime. A versão, porém, não foi aceita pelos policiais federais.
Fonte: Midianews
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