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Delegado federal que investiga o caso colheu depoimentos que subsidiarão o pedido. Concluindo a investigação, o inquérito será encaminhado para a Justiça Federal, que deve julgar o caso.


O delegado da Polícia Federal Hércules Ferreira Sodré, que conduz o inquérito sobre o desaparecimento e assassinato de Genes Moreira dos Santos Júnior, de 24 anos, e Marciano Cardoso Mendes, 25, em Juína, na região Norte de Mato Grosso, vai pedir a prisão preventiva de pelo menos dois indígenas Enawenê-nawê, que teriam sido responsáveis pelos homicídios, cometidos na única aldeia da etnia.

Concluindo a investigação, o inquérito será encaminhado para a Justiça Federal, que deve julgar o caso.

O delegado de Defesa Institucional da PF foi à Juína neste final de semana para investigar o caso. Colheu diversos depoimentos de indígenas e não indígenas e, de acordo com a assessoria da PF, ficou convencido de que é preciso responsabilizar os culpados pelas mortes, destacando que, somente indígenas de comunidades isoladas são inimputáveis; os outros respondem criminalmente, embora sob uma legislação diferenciada.
Concluindo a investigação, o inquérito será encaminhado para a Justiça Federal, que deve julgar o caso. 

A defesa de indígenas é feita pela Assessoria Jurídica da Fundação Nacional do Índio (Funai), que ainda não se pronunciou sobre o assunto

A defesa de indígenas é feita pela Assessoria Jurídica da Fundação Nacional do Índio (Funai), que ainda não se pronunciou sobre o caso.
Na tarde do último sábado (12), após negociação com a Funai e a PF, os Enawenê informaram aonde estavam os dois corpos, já em estágio de decomposição.
O Instituto Médico Legal (IML) de Juína fez o exame de necropsia. O laudo aponta que eles foram executados a tiros com uma carabina calibre 22 e a pauladas.
Mediante a liberação dos corpos, Genes e Marciano, que deixa esposa e dois filhos, foram sepultados ao meio dia deste domingo (13) em cemitério local.
Familiares das vítimas não querem “deixar por isso mesmo”, como informou na manhã desta segunda-feira (14) ao  a estudante Adrielly Kelmy, 21, prima de Genes. Segundo ela diz, “o povo está muito revoltado com o que aconteceu”.
“Hoje vamos atrás de advogados para responsabilizar os culpados”, afirma.

“Hoje vamos atrás de advogados para responsabilizar os culpados”, afirma a prima de uma das vítimas.

VÁRIAS VERSÕES
A versão predominante sobre o que teria motivado o crime remonta à última quarta-feira (9). Lideranças Enawenê estariam fazendo pedágio na MT-174, quando Genes e Marciano passaram de carro furando o bloqueio, rumo à Rondônia, onde iam comprar roupas para revender.  Mais à frente, eles teriam sido apanhados pelos índios, levados à aldeia e mortos.
Essa versão teria relação com os conflitos comuns em cidades próximas à aldeias, onde costuma haver uma rivalidade xenofóbica entre não índios e índios.

O líder da aldeia Enawenê, o cacique Dodoay, deu entrevista à imprensa local de Juína afirmando que viram falta de respeito dos que “furaram" o bloqueio e deram a resposta.

O líder da aldeia Enawenê, o cacique Dodoay, deu entrevista à imprensa local de Juína afirmando que foi isso mesmo que aconteceu, ou seja, eles viram falta de respeito dos que “furaram” o pedágio e deram “a resposta”.
A família estranha essa versão, dizendo que Genes e Marciano sempre passavam pelos pedágios dos indígenas, que são comuns no local, e pagavam, seguindo viagem. A pergunta é: por que desta vez foi diferente?
Outra versão seria a de que, para traficar drogas, Genes e Marciano estavam se aproximando da aldeia, na Terra Indígena Enawenê-Nawê, que tem 742 mil hectares, entre os municípios de Juína, Comodoro e Sapezal, cortada pelo rio Juruena. Para chegar à aldeia, são 60 quilômetros de estrada de terra e mais 200 quilômetros de barco.
Há ainda uma versão também não confirmada de que a dupla que foi morta tinha outros negócios com os indígenas.
Como a Funai não se posicionou ainda e os Enawenê são de difícil contato, o  não conseguiu ouvi-los.
A regional da Funai em Juína está fechada desde o dia em que os rapazes desapareceram e um servidor teria sido testemunha ocular, por isso saiu da cidade, como medida de segurança. A PF está colhendo o depoimento dele na tarde desta segunda, na superintendência em Cuiabá.

A ETNIA
O contato de não-índios com as Enawenê-Nawê aconteceu em 1974, ou seja, há mais de quatro décadas, mas ainda hoje eles são reclusos, o que vem mudando nos últimos tempos.
Quando foram contatados, eram apenas 97 indígenas e atualmente já são mais de 566.
Fisicamente, alguns traços os definem. Homens e mulheres têm cabelos compridos, com franjas cortadas bem curtas. Usam brincos de argolas pretas, de tucum, e tiras finas amarradas pelo corpo.

Fonte: Repórter MT
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