Sucena Shkrada Resk/ICV
Mais de 200 pessoas, entre crianças e adultos, de Cotriguaçu e Colniza, participaram do 4º Encontro de Saberes e Sabores do Projeto de Assentamento (PA) Nova Cotriguaçu, no município de Cotriguaçu, Mato Grosso, no domingo (04/10). O evento, realizado na comunidade Novo Horizonte, pelos moradores locais e por integrantes do povo Rikbaktsa, da Aldeia Babaçuzal, da Terra Indígena Escondido, promoveu um espaço democrático de diálogo e confraternização.
Representantes de associações comunitárias e dos grupos de mulheres das quatro comunidades Novo Horizonte, Nova Esperança, Ouro Verde e Santa Clara, de conselhos municipais, indígenas e autoridades puderam se manifestar, durante a programação. O ponto central das falas foi a valorização do trabalho e cultura locais, com suas conquistas e desafios, e a prioridade de se estabelecer mais apoios técnicos aos agricultores familiares, a regularização fundiária e o combate às queimadas e desmatamento na região, que aumentaram nos últimos meses.
O processo de ampliação da cadeia socioprodutiva do babaçu se destacou na fala dos grupos de mulheres, que desenvolvem um trabalho principalmente nas comunidades de Ouro Verde e de Santa Clara, com essa espécie de palmeira. As agricultoras familiares estão sendo beneficiadas em projetos com diferentes apoiadores, por meio de equipamentos e capacitações.
O lançamento de vídeo produzido pelo Grupo de Jovens A Força do Futuro, da comunidade Ouro Verde também chamou a atenção dos presentes, como estímulo para iniciativas que busquem a permanência no campo às novas gerações. A iniciativa resume a trajetória dos adolescentes que começou neste ano, e suas primeiras ações com uma horta comunitária. “Estamos abertos à participação de novos integrantes”, disse o jovem Cássio de Oliveira Souza.
Representantes dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente e de Segurança Alimentar e Nutricional contaram um pouco do seu dia a dia, que revela a importância do exercício de cidadania nestes espaços coletivos que acompanham a gestão pública.
A variedade gastronômica local foi um dos pontos altos da festa preparada pelas mulheres das comunidades, expressando os costumes locais. Mingau e bolachas de babaçu, doces de frutas da estação, refeições com palmito e peixes provenientes de criadouros de piscicultura do assentamento foram algumas das iguarias que puderam ser degustadas pelos participantes.
Durante a feira de produtos e alimentos, agricultoras familiares comercializaram desde óleo de babaçu a tapeçaria e os indígenas Rikbaktsa levaram artesanato típico feito com sementes nativas além de apresentarem uma dança tradicional, que encantou o público.
O Instituto Centro de Vida (ICV) lançou no encontro, a Cartilha e o vídeo “Municípios Sustentáveis: Construindo Caminhos para Uma Gestão Compartilhada do Território – Sistematização do projeto Cotriguaçu Sempre Verde. A publicação conta a primeira fase desse projeto, realizada entre 2011 e 2014, que está em sua segunda etapa e envolve o poder público e a sociedade local.
Para o ICV este é um espaço estratégico, pois promove o empoderamento dos agricultores familiares e indígenas com os quais a organização trabalha, prestando assessoria técnica e atividades de educação ambiental.
“Esse é um momento importante de conhecer mais pessoas do assentamento que são nossos vizinhos, ampliar nosso contato e fazer troca de conhecimento cultural”, disse o cacique Roseno Zokoba Rikbakta, da aldeia Babaçuzal.
O evento contou com a presença de Rosângela AparecidaNervis, prefeita de Cotriguaçu , de Amilton Castanha, secretário de Meio Ambiente; do vereador Valdivino Mendes dos Santos, e de Leonardo Vivaldini dos Santos, analista de desenvolvimento econômico e social da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Regularização Fundiária, entre outros participantes. Além da parceria do ICV, o encontro teve o apoio da Prefeitura Municipal de Cotriguaçu.
Fonte: Instituto Centro de Vida (ICV)
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