Bem-vindo(a). Hoje é Juruena - MT


A Justiça do Trabalho negou recurso da defesa e manteve multa de R$ 3,2 milhões à ex-secretária de Cultura de Mato Grosso, Janete Riva, por descumprir acordo referente a um flagrante de trabalho análogo à escravidão na Fazenda Paineiras, de propriedade dela, em Juara, a 690 km de Cuiabá. Entre os problemas detectados e que deveriam ter sido solucionados estão a falta de água potável e a ausência de programa de saúde e segurança apropriado para esses funcionários. Janete foi candidata ao governo do estado em 2014 e é acusada ainda, juntamente com o marido, José Riva, de fazer parte de uma quadrilha que teria desviado R$ 62,2 milhões da Assembleia Legislativa (ALMT).

A decisão de negar seguimento ao agravo de petição da defesa de Janete é da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23). O G1 tentou entrar em contato com o advogado da acusada, mas ele não atendeu as ligações.

A Fazenda Paineiras tem mais de 7 mil hectares, parte deles destinados à criação de gado. Localizada em Juara, reduto político da família Riva, a propriedade rural foi alvo de fiscalização por parte do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) e da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-MT) em abril de 2010. Na ocasião, sete trabalhadores foram resgatados da propriedade rural nessas condições e diversas irregularidades trabalhistas foram flagradas.

Como Janete não aceitou firmar Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o MPT-MT entrou com ação civil pública contra ela e a fazenda. No decorrer do processo, foi firmado acordo entre as partes, pelo qual Janete se comprometeu a cumprir 25 obrigações trabalhistas, sob pena de multa de R$ 30 mil pelo descumprimento de cada um deles, R$ 350 mil por dano moral coletivo, e multa de R$ 5 mil por trabalhador. O pagamento foi parcelado em 12 vezes.

Descumprimento
Porém, em abril de 2013, uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE-MT) constatou que cinco obrigações haviam sido descumpridas. A água potável disponível, por exemplo, além de estar em quantidade insuficiente para os funcionários da fazenda, tinha coliformes fecais acima do permitido.

Os trabalhadores também estavam sem programa de saúde e segurança apropriado, sem protetor de orelha para desempenhar atividades nas quais estavam expostos a ruídos, e os agrotóxicos não estavam sendo guardados de forma adequada.

Por conta dessas irregularidades, o MPT-MT pediu a execução da multa, aplicada pela Justiça começando a ser contada desde o acordo judicial (fevereiro de 2011) até a data da fiscalização (abril de 2013). A multa também foi contada por trabalhador prejudicado, somando R$ 3,2 milhões. A defesa, então, entrou com recurso de agravo de petição, que teve seguimento negado no TRT-23.

"Não foi conhecido pelo tribunal já que não era o momento processual para esse recurso. Na fase de execução só caberá o recurso de agravo de petição de decisões que terminam ou decidem o processo, e não de qualquer despacho ou decisão", explicou o procurador do Trabalho, Marcel Trentin, coordenador da Procuradoria do Trabalho do município de Alta Floresta. Segundo Trentin, a ação deve voltar à Vara do Trabalho de Juara.

Trajetória
Janete é casada com José Riva, ex-deputado estadual que está preso no Centro de Custódia de Cuiabá desde 21 de fevereiro, sob a acusação de liderar esquema que teria desviado dinheiro dos cofres da ALMT. Ela também é ré na ação, que tramita na Vara Contra o Crime Organizado de Cuiabá. Na época em que os crimes teriam sido cometidos, entre 2005 e 2009, Janete ocupava o cargo de Secretária de Patrimônio do legislativo mato-grossense.


No ano passado, Riva tentou se candidatar ao cargo de governador do estado, mas foi barrado pela Lei da Ficha Limpa. Então, Janete assumiu a candidatura no lugar do marido, porém terminou a disputa em terceiro lugar. E, no final de 2014, ela teve o nome aprovado pelos deputados estaduais para ser conselheira do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), mas a sabatina dela foi suspensa na ALMT por força de uma decisão judicial.

Fonte: G1
Marcadores: ,

Postar um comentário

O Portal DN Notícias não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.
Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.