"Já perdemos muito tempo. Espero que essa onda de protestos por parte dos caminhoneiros não seja em vão. Que ela sirva para 'abrir os olhos' do Governo e da iniciativa privada, para analisar a forma e perceber que da forma como, hoje, está o transporte de carga no Brasil, não é possível continuar", externou Blairo Maggi, na Tribuna do Senado, nesta terça-feira (24.02). Ao citar as manifestações do setor de transporte de carga que vêm bloqueando as rodovias brasileiras, ele reiterou a necessidade de solucionar a precária logística do País. "São anos a fio de crise no setor de transporte brasileiro".
"Infelizmente, aconteceu que, neste ano, o setor do transporte, dentro desse grande negócio que o Brasil tem, que é o agronegócio, e também os transportes gerais de carga no País, não tiveram a possibilidade de ter uma remuneração que pagasse seus custos e que desse a esses caminhoneiros a sustentação necessária para permanecerem com seus negócios rodando", protestou.
Maggi lembra que os profissionais reclamam, principalmente, do alto preço do combustível e dos baixos valores dos fretes. Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, tiveram rodovias bloqueadas com os protestos que vêm acontecendo desde a semana passada.
Em Mato Grosso, o bloqueio aconteceu em quatro rodovias entre seis municípios. "É preciso que o Governo Federal tome providências. Os desabastecimentos já podem ser notados, e não só a indústria é a afetada. Mas a população em geral, quando não encontra o produto na prateleira do supermercado", alertou.
Blairo diz que, entre as reivindicações da categoria, está a sanção presidencial, sem vetos, do Projeto de Lei n° 4246/2012 que regulamenta a profissão de motoristas profissionais e disciplina jornada de trabalho dessa categoria. O texto prevê, entre outros itens, a isenção dos eixos suspensos do caminhão vazio. A presidente Dilma Rousseff tem até o dia 23 de março para aprová-lo integralmente, aprová-lo em partes ou vetá-lo integralmente. E, o adiamento do financiamento para pagamento em mais um ano.
A respeito do custo dos fretes, o senador explica que, há três anos, o Governo, para ajudar a indústria automobilística e de caminhões – "e não estava errado naquele momento" –, criou um programa chamado PSI e, dentro do Finame, criou uma possibilidade de financiamento de caminhões com juros "extremamente interessantes", de 2,5% ao ano, sem nenhum tipo de correção.
As grandes transportadoras e os autônomos, lembra Maggi, que precisavam comprar dez caminhões, compraram vinte. Os que não precisavam comprar nenhum, compraram dois, três. Essa situação acabou por desequilibrar o mercado de fretes.
De acordo com o parlamentar, foram milhares e milhares de novos caminhões que chegaram ao Estado de Mato Grosso, ao Brasil, às estradas brasileiras.
"Fui procurado pelo setor do transporte de Mato Grosso e apoio a causa. Hoje conversei com o Governo, durante reunião com ministros no Palácio do Planalto, sobre a aprovação da Lei dos Motoristas por parte da Presidente, sem veto, e também sobre a prorrogação dos financiamentos de caminhões comprados no ano passado. Pontuei a gravidade da situação para os ministros, que se mostraram sensíveis ao tema. Sugeri ao grupo que leve à presidenta Dilma a necessidade de uma resposta imediata sobre essa questão. Precisamos mudar a realidade do transporte de carga no Brasil. É preciso garantir o direito de ir vir de todo e qualquer cidadão, mas também é preciso dar segurança a quem produz", destacou Maggi.
Para o mato-grossense, o Governo precisa resolver de imediato as reivindicações da categoria. No entanto, faz-se necessário, e urgente, programar o futuro e pensar em longo prazo, com estratégias bem definidas, para não enfrentar, em um curto período, o colapso do setor.
Dentre as medidas, Maggi destaca a implantação de novos modais como a melhor alternativa para resolver os problemas que enfrentamos, hoje, no setor de transporte de cargas.
"Isso é urgente, mas não se consegue implantar nada com agilidade no Brasil, por causa da burocracia que é gigantesca e emperra tudo. Estou sempre repetindo que vivemos a guerra do papel e não conseguimos conviver se quer com a nossa realidade, por exemplo, do campo. Não plantamos em setembro/outubro por conta da escassez de chuvas. E agora, pelo excesso dela, não podemos colher. Adiamos a colheita do início de fevereiro para quase março, e pegamos o aumento considerável do diesel que elevou todo o custo da produção", explicou.
Fonte: 24 Horas New
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