Há informação de que os fazendeiros que se beneficiavam do esquema estariam tentando ‘arrecadar’ a quantia de R$ 10 milhões para ofertar ao delegado responsável pelas investigações, Hércules Ferreira Sodré da Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal.
“Prevendo uma situação que os levaria a prejuízos, os proprietários de lotes do assentamento estariam se ‘cotizando’ para arrecadar a quantia de R$ 10 mi para oferecer ao delegado responsável”, diz o informe policial assinado pelo investigador A.O.M., que permaneceu em diligências na região em abril desse ano. A declaração partiu de um de um informante da investigação, que inclusive foi vítima de tentativa de assassinato, possivelmente, encomendado pelo ‘braço armado’ da organização.
No relatório de sete páginas divulgado mediante autorização do juiz federal da comarca de Diamantino, Fábio Henrique Rodrigues de Moraes Fiorenza, consta ainda a informação de que o Projeto de Assentamento não possuía as características básicas de um assentamento, como a divisão de lotes e a diferenciação de culturas práticas.
De um total de 1.149 lotes destinados a reforma agrária no segundo maior assentamento da América Latina, apenas 10% dos lotes estariam em poder, de fato, de clientes da reforma agrária. “Algumas raras casa de assentados ainda permanecem nos lotes, mas grande parte foi destruída, muitas vezes para evitar que o parceleiro que ‘vendeu’ seu lote retorne.
O documento aponta ainda uma grande tensão no campo, com a presença maciça de pessoas armadas pela região. “Assassinatos são cometidos. Ameaças estão sendo feitas. Pessoas sendo intimidadas. A Polícia Militar, única no local, conta com efetivo baixo e mesmo seus servidores já se viram em situação de confronto com parte da população que deseja o continuísmo e desacatando os servidores tentando até, a invasão do posto policial”.
A procuradora da República Ludmila Bortoleto Monteiro, que também atua na investigação, afirmou em coletiva à imprensa que a quadrilha possui uma atuação intensa e sempre armada. “Estamos tentando identificar de quem seriam os capangas, vamos dizer assim: eles ameaçaram todos os clientes da reforma agrária que estavam no ali. Muitos dos lotes eram vendidos por quantias irrisórias. Muitos iam embora por conta de ser uma quadrilha, porque eram coagidos”, declarou.
Para poder lucrar com a aquisição dos lotes, os fazendeiros investigados são acusados de coagirem os pequenos agricultores que desistiram da área e a comercializavam por valores irrisórios ou simplesmente abandonavam a área temendo as represálias da organização.
As fraudes com a invasão de terras, crimes contra meio-ambiente, corrupção ativa e passiva, chega a cifra de R$ 1 bilhão e teria tido início desde a implantação do assentamento, no ano de 1997.
Fonte: CenárioMT com Olhar Direto
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