A Procuradoria usou termos como 'repugnantes', 'nefastas' e 'ultrajantes' para definir as injúrias raciais contra o atleta da equipe paulista. Contra o argumento da defesa gremista, de que apenas uma minoria cometeu as injúrias, o sub-procurador geral Rafael Vanzin, citou o ex-jurista e escritor Ruy Barbosa, ao explicar que “o direito não se viola pela quantidade, mas pela qualidade da ofensa”
Após o julgamento, o presidente do Grêmio, Fábio Koff, não viu injustiça na sentença, e sim, exagero. Ele confirmou que o clube irá recorrer da decisão.
— O Grêmio respeita a decisão, embora discorde dela tecnicamente. O Grêmio vai recorrer. Acho que houve um exagero. Temos que conceituar e entender de maneira diferente a injúria racista da manifestação. O Grêmio fez o possível para identificar os autores. Foram entregues a polícia. Acho que o Grêmio foi punido duas vezes por um fato só.
O árbitro Wilton Pereira de Sampaio, que não relatou na súmula as ofensas, foi punido com 90 dias de suspensão. Os auxiliares Kléber Lúcio Gil e Carlos Berkenbrock e o quarto árbitro Roger Goulart levaram 60 dias de suspensão. Em seu depoimento, ele afirmou não ter ouvido as manifestações.
— Após o jogo não foi me passado nada. Ao chegar no hotel, vi a reprise do jogo e as notícias na Internet. Fiquei assustado e resolvi fazer o adendo à súmula.
A partida foi paralisada aos 42 minutos do segundo tempo, quando Aranha chamou o árbitro e relatou os xingamentos de torcedores do clube gaúcho. Câmeras de televisão flagraram uma torcedora, posteriormente identificada como Patrícia Moreira, chamando o atleta de “macaco". Os torcedores identificados pelas ofensas estão proibidos de frequentar estádios por 720 dias.
- Este julgamento atinge um clube com 111 anos de história, que tem atletas de cor nas escolinhas, nos alojamentos da base. O Grêmio não subsidia ninguém, não dá ingressos para torcidas organizadas. Talvez isso justifique a revolta desses 'bandos' - disse Koff.

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