Proprietário de fazenda teria ouvido conversa entre Vilceu Marchetti e o caseiro
ISA SOUSA E LISLAINE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO
O ex-secretário de Estado, Vilceu Marchetti, teria pedido ao caseiro Anastácio Marafon que não o matasse, na noite de segunda-feira (7), na Fazenda Marazul, na região do Pantanal.DA REDAÇÃO
Em coletiva à imprensa, no começo da tarde desta terça-feira (8), os delegados adjuntos da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Anaíde Barros e Walfrido Nascimento, revelaram que o diálogo entre Marchetti e Marafon foi ouvido pelo proprietário da fazenda, Nery Fulgante, de 80 anos.
"Ele [Neri Fulgante] disse que ouviu Marchetti pedir para que Anastacio não pegasse a arma"
Ambos acompanharam o início das investigações no local do crime, após serem acionados pelo delegado local, Douglas Turibi, por volta das 20h, que pediu reforços.
Em depoimento à polícia, Fulgante disse que se encontrava no mesmo apartamento que Vilceu, no quarto ao lado, e ouviu, no momento do crime, uma discussão.
“Ele disse que ouviu Marchetti pedir para que Anastacio não pegasse a arma”, afirmou Anaíde.
Segundo a delegada, Fulgante relatou que, ao ouvir os tiros, temeu por sua família e não quis sair do quarto. Quando, por fim, se dirigiu ao quarto de Marchetti, já o encontrou morto.
O ex-secretário de Estado foi assassinado com dois tiros ainda na cama, sendo um na cabeça e o outro no peito.
Assédio
Segundo os delegados da DHPP, Marafon confessou, horas após o crime, que assassinou Marchetti porque a vítima teria “cantado” sua mulher.
"A mulher do caseiro confessou ao marido que Marchetti havia batido na bunda dela. O caseiro, então, pegou a arma e foi ao apartamento de Marchetti, que ao vê-lo se aproximando, correu para o quarto e se deitou"
Ele teria presenciado a cena de longe, por volta das 18 horas de segunda-feira (7), e, após o jantar, ao tirar satisfação com a mulher, recebeu a confirmação do suposto assédio.
“A mulher do caseiro confessou ao marido que Marchetti havia batido na bunda dela. O caseiro, então, pegou a arma e foi ao apartamento de Marchetti, que ao vê-lo se aproximando, correu para o quarto e se deitou”, relatou Silas.
Conforme a polícia, a discussão de Marafon com sua esposa, inclusive, foi presenciada pelos dois netos de Marchetti, um de 14 anos e outro de 9, que acompanhavam o avô na fazenda.
Início das investigações
Segundo os delegados da DHPP, inicialmente Marafon não assumiu a autoria do crime, inclusive tentando “dissimular os fatos” junto aos demais funcionários da fazenda.
“Ele falou que tinha visto uma moto sair correndo, que alguém teria tentado pegar a vítima”, afirmou Anaíde.
A Polícia Militar foi a primeira unidade a chegar ao local e, ao conversar com a mulher do caseiro, soube do suposto assédio e deteve o marido até a chegada da Polícia Civil.
“Ela disse que Marchetti teria chegado perto, a apalpado e teria falado coisas a ela que a teriam deixado constrangida”, disse Anaíde.
Tony Ribeiro/MidiaNews
|
Walfrido Nascimento: "Todos os indícios apontam que o crime foi em decorrência do suposto assédio praticado por Marchetti"
|
No entanto, a equipe da DHPP chegou no momento da saída da família e fez com que eles permanecessem no local, para prestar depoimento.
Outros motivos
Segundo Anaíde de Barros, a polícia não acredita que o casal tenha sido “plantado” na fazenda para executar Marchetti, em um típico caso de “queima de arquivo”, porque durante o depoimento, eles teriam sido “bem convincentes”.
“O casal já trabalhava há seis anos para o proprietário da fazenda, em uma fazenda em Santa Catarina e estava em Mato Grosso há oito dias. Marafon veio para assumir o posto de administrador da fazenda Marazul, no lugar de Marchetti, que já havia pedido para deixar de fazer o serviço”, afirmou.
De acordo com Walfrido Nascimento, a polícia não descarta qualquer outra hipótese, porque o inquérito segue aberto, mas que não acredita que nenhum fato novo possa surgir nos próximos dias.
“Todos os indícios que coletamos ontem confirmam que o crime ocorreu por isso. Temos ainda dez dias de investigação e eu, particularmente, não acredito em surpresas. Mas, por cautela, como a investigação segue, não podemos descartar outras possibilidades”, disse.
Busca pela arma
A arma utilizada por Marafon no crime seria de calibre 38, conforme Walfrido, mas não seira legal. O caseiro teria, ainda, outras duas armas registradas.
“Essa arma não tem registro e ele alegou que a comprou de terceiros, há mais de 20 anos”, disse.
De acordo com o delegado, Marafon afirmou que, ao sair do quarto de Marchetti, jogou a arma na beira de um rio que passa por dentro da fazenda.
A polícia continua fazendo buscas no local para encontrar o objeto.
Funcionário de fazenda confessa assassinato de ex-secretário
Marchetti foi assassinado por "caseiro" de sua fazenda
Ex-secretário é assassinado com dois tiros na cabeça
| GALERIA DE FOTOS |
Postar um comentário
O Portal DN Notícias não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.
Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!