A indústria brasileira planeja reajustar os preços do produto torrado e moído em cerca de 35%, conforme Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Os reajustes vão variar de empresa para empresa e deverão ser diluídos ao longo dos próximos meses, dependendo de cada indústria. Herszkowicz diz que algumas empresas que não acompanharam a queda registrada no ano passado têm, atualmente, menos necessidade de corrigir os preços praticados.
Pesquisa feita na Grande São Paulo pelo Sindicafé aponta que o preço médio do quilo do café tradicional nos supermercados caiu 14% de janeiro a dezembro de 2013, para R$ 12,72. Na última pesquisa, de 14 de fevereiro deste ano, o valor do produto era ainda menor - R$ 12,59.
"Com esse nível [de alta da matéria-prima], é impossível a indústria assimilar. No momento, acho impossível a indústria continuar represando esses aumentos", disse Herszkowicz. A matéria-prima representa cerca de 70% do preço final do café torrado e moído.
O varejo também deverá elevar os preços do café já nesta semana, estima Herszkowicz. O representante da Abic diz que a indústria vê pelo menos dois anos de dificuldade de abastecimento. "O cenário é de pouca oferta e preços elevados [da matéria-prima]", afirma ele.
Embora o cenário tenha mudado do ano passado para cá em termos de preços da commodity, o Ministério da Agricultura mantém sua posição de incentivar a diversificação da cafeicultura e evitar o incremento de área. A proposta é que o produtor tenha 90% de sua renda com café e 10% com outras culturas, como grãos, hortifrútis, pecuária leiteira ou eucalipto. No ano passado, a ideia era criar uma linha de crédito exclusiva para esse projeto, mas agora o ministério acredita que ele poderá ser operacionalizado com as linhas de financiamento existentes, segundo informações de Janio Zeferino da Silva, diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura.
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