O ex-jogador Pedro Rocha, ídolo do São Paulo e da seleção uruguaia, morreu em casa, nesta segunda-feira, um dia antes de completar 71 anos. Ele sofria de atrofia do mesencéfalo (doença degenerativa que o impedia de andar e falar, além de causar dano à visão, e se agravou nos últimos anos).
Pelo clube brasileiro, foram 119 gols e 393 partidas, do início da década de 1970 até 1977, além de um título nacional e dois estaduais. Pelo Peñarol, em que foi revelado, ganhou, dentre outros títulos, três vezes a Copa Libertadores e duas vezes o Mundial Interclubes (ou Copa Intercontinental) antes de seguir para o futebol brasileiro.
Único uruguaio a disputar quatro Copas do Mundo (1962, 1966, 1970 e 1974), Pedro Rocha tinha admiração de Pelé, para quem o meia era um dos cinco maiores jogadores do mundo. O Verdugo, como era apelidado, tinha chute fortíssimo, cabeceios arrasadores e excelente visão de jogo.
Com a camisa do São Paulo, Pedro Rocha fez história
'El Verdugo' (apelido que recebeu porque "matava" os adversários com a sua categoria, seu chute fortíssimo, suas cabeçadas arrasadoras e sua visão de jogo) chegou ao Morumbi em 15 de setembro de 1970 para ser parte de um trio forte do Tricolor. Gérson e Toninho Guerreiro chegaram com Rocha. O São Paulo estava sem títulos há 13 anos. A diretoria buscava reforçar a equipe, enquanto terminava a construção do estádio. O começo do uruguaio foi desanimador. Até a saída do 'Canhotinha de Ouro', Pedro Rocha fez 13 gols em 59 partidas.
No começo de 1972, sem Gérson, 'El Verdugo' deslachou com 56 partidas e 25 gols, sendo assim o primeiro estrangeiro a terminar um Campeonato Brasileiro como artilheiro. Pablo Forlán, companheiro de Peñarol, São Paulo e seleção uruguaia, descreve o jogador: "É o maior jogador uruguaio dos últimos 50 anos. Vou dizer como ele jogava: caminhava com a bola, pelo meio, e lançava o centroavante, continuando a correr. Quando recebia a bola, tinha facilidade em marcar. Tocava para um dos pontas e corria para a área. A defesa se preocupava com o centroavante e era ele quem cabeceava. Quando não havia a possibilidade do passe, ele segurava a bola, chegava perto e chutava muito forte, de 30 metros de distância. De esquerda ou de direita, como no final da Copa América de 67, quando fomos campeões. Se o ponta esquerda sofria uma falta, Rocha cobrava com o pé direito no canto esquerdo do goleiro".
Em 1974, o São Paulo foi derrotado na final da Libertadores pelo Independiente, Rocha estava machucado e não pode jogar. No ano seguinte, o Tricolor conquistaria o Paulistão e o Brasileiro daquele ano. Deixaria o time em 1977, por problemas com Rubens Minelli.
Apesar de todo futebol e fama, 'El Verdugo' não guardou muito dinheiro. Tentou a carreira como treinador (passou pelo Internacional, Ponte Preta e Portuguesa, sem sucesso), foi dono de bingo e vivia com uma aposentadoria de quase R$ 2 mil. Com os graves problemas de saúde dos últimos anos, o São Paulo ajudava no tratamento médico, mas o amistoso em homenagem ao jogador nunca saiu do papel.
Muricy Ramalho, atual treinador e companheiro de Rocha no São Paulo, falou sobre o uruguaio: "Ele era muito educado, um cara diferente no futebol. Caladão, não era de muita brincadeira e gostava muito de jogar sinuca. Era invencível, tinha uma precisão para defender e atacar, até parecia que estava jogando futebol. Para ficar perto dele, comecei a jogar sinuca também. Melhorei muito mas nunca consegui vencer Pedro Rocha. Mas estava ali, perto dele. Era a prova de que estava vencendo na vida. O cara era um gênio da bola".
Ficha técnica
Nome: Pedro Virgilio Rocha Franchetti (El Verdugo)
Nascimento: 03/12/1942 - Salto, Uruguai
Equipes que atuou: Peñarol (1959 - 1970), São Paulo (1970 - 1977), Coritiba (1978), Palmeiras (1979) e Monterrey (1980)
Títulos: Campeonato Uruguaio (1959, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967 e 1968), Copa Libertadores da América (1960, 1961 e 1966), Mundial Interclubes (1961 e 1966), Recopa (1969), Campeonato Paulista (1971 e 1975), Campeonato Brasileiro (1977) e Campeonato Paranense (1978)
Gols: Peñarol (81 gols em 159 jogos), São Paulo (119 gols em 393 jogos) e seleção do Uruguai (17 gols em 52 partidas)
Fonte: Gazeta Press

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