Depois de transformar em pastos a maior parte das florestas de Mato Grosso, os madeireiros se voltaram agora para as terras indígenas em busca de matéria-prima. A mata contínua faz parte das grandes terras indígenas da região. Do alto, dá para ver onde termina a reserva dos Cintas Largas. Nas fazendas vizinhas, sobrou só pasto. Quando o helicóptero pousa, o IBAMA descobre uma estrada clandestina com muita madeira pronta para o embarque.
Nem todos os acessos às reservas são desertos. Para cruzar uma das aldeias, os agentes pediram a um índio que liberasse a estrada. Dois quilômetros adiante, eles encontraram um caminhão já carregado, um acampamento de peões e centenas de árvores abatidas.
Quando a fiscalização retornou, encontrou índios de várias aldeias pintados para a guerra. Nervoso, o cacique disse que o IBAMA não podia entrar na reserva sem a autorização dele. Impedidos de sair, os agentes foram levados para um barracão, onde o conselho da tribo estava reunido.
Com uma câmera escondida, um dos fiscais filmou parte do encontro:
Índio: O IBAMA entrou sem se comunicar com o cacique da aldeia.
IBAMA: O objetivo aqui não é criar confusão com vocês, nem desrespeitar ninguém. Só fazer a nossa vistoria e ir embora. Tinha um caminhão lá dentro e a gente está aqui para ouvir se esse pessoal está entrando por aqui, se está entrando por outro lugar. Se é autorizado, se não é autorizado por vocês.
IBAMA: O objetivo aqui não é criar confusão com vocês, nem desrespeitar ninguém. Só fazer a nossa vistoria e ir embora. Tinha um caminhão lá dentro e a gente está aqui para ouvir se esse pessoal está entrando por aqui, se está entrando por outro lugar. Se é autorizado, se não é autorizado por vocês.
Os índios admitiram que passaram a vender madeira depois que a FUNAI cortou as cestas básicas da tribo. “Nós vendemos madeira ilegal porque nós temos necessidade de conseguir as coisas. A FUNAI cortou o recurso da cesta básica.”
Quando um dos índios percebeu que o encontro estava sendo gravado, a situação ficou ainda mais tensa. Os Cintas Largas só liberaram os agentes depois que o helicóptero do IBAMA sobrevoou a aldeia, em um voo rasante.
Depois do incidente, a equipe do Jornal Hoje procurou o coordenador da FUNAI em Juína. Antonio Carlos Ferreira de Aquino disse que os Cintas Largas não têm direito a cestas básicas e que nem todos os índios vendem madeira.
“Os madeireiros abordam os índios, assediam, levam para churrascaria, pagam hotel, combustível, pensando nesse retorno de ir dentro da terra indígena e tirar madeira”, explica. O coordenador da FUNAI diz que o assédio dos madeireiros sobre os Cintas Largas é cada vez maior. Afinal, na região só resta floresta nas terras indígenas.
Fonte: Jornal Hoje/ Jonas Campos Aripuanã, MT

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