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Alguns apresentam dificuldade para se andar, enquanto outros se sentam em posições estranhas, se assemelhando a cães. "Já vi gado descendo a rampa do caminhão na ponta dos pés", diz Temple Grandin, doutora em ciência animal e consultora da indústria pecuária. "Normalmente, eles descem a rampa rápido e pulam para fora. Não queremos ver algo anormal tornar-se normal", disse a especialista em entrevista a uma publicação científica norte-americana.

A preocupação de Grandin é compartilhada com diversos outros veterinários e cientistas especializados em pecuária, que suspeitam que a origem dos problemas está no uso de suplementos como Zilmax e Optaflexx, aditivos para ração, dados ao gado para que estes ganhem peso. 

“Este produtos são chamados de beta-agonistas e estão sendo cada vez mais usados, em escala cada vez maior, em bovinos enviados para abate nos frigoríficos dos Estados Unidos”, explicou o veterinário Cássio Urguenti, que atua em propriedades do interior de Mato Grosso do Sul.

Um vídeo apresentado este mês em uma conferência da indústria de carne bovina em Denver, nos Estados Unidos, pela doutora Lily Edwards-Callaway, chefe de bem-estar animal da JBS USA, unidade da brasileira JBS, mostra imagens de vacas com dificuldade para andar e apresentando outros sinais de angústia. Os animais demonstram o ‘tal’ comportamento estranho - caminham com hesitação, outros mancam, no que aparenta ser o reflexo de sérios problemas no sistema nervoso.

O vídeo foi mostrado como parte de um painel de discussão sobre os prós e contras no uso dos beta-agonistas, que chegam a acrescentar mais de 13 quilos ao peso do animal. E são justamente os animais alimentados com estes suplementos que tem mostrado sinais de que há algo errado com eles.

A Tyson Foods Inc., maior processadora de proteína animal do EUA ameaçou seus fornecedores – inclusive a JFS USA, de interromper a compra de gado alimentado com tais suplementos, devido aos problemas que estes animais apresentavam.

A introdução do Zilmax e de outros suplementos usados com a mesma finalidade, aliadas a ações como melhoramentos genéticos e na ração, fez com que a indústria norte-americana conseguisse a proeza de produzir mais de 11,8 bilhões de quilos de carne bovina a partir de ‘apenas’ 91 milhões de cabeças de gado em 2012. Em 1952, foram necessárias 111 milhões de cabeça para produzir 9,5 bilhões de quilos de carne.

O estranho comportamento apresentado por estes animais fez com que a farmacêutica americana Merck Sharp & Dohme (MSD), responsável pela fabricação do Zilmax, anunciasse a suspensão temporária das vendas do produto, em resposta ao aumento das preocupações sobre o bem-estar animal na indústria pecuária americana devido ao uso de produtos farmacêuticos na produção de carne.




Fonte: Olhar Direto
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