Na região Noroeste de Mato Grosso, Cotriguaçu, que faz parte
da Lista dos Municípios Prioritários para ações de prevenção e controle do
desmatamento na Amazônia, é foco de ação do projeto Cotriguaçu Sempre Verde,
desenvolvido pelos diferentes grupos da sociedade local. O trabalho é realizado
com a comunidade indígena da aldeia Babaçu, etnia Rikbaktsa, da Terra Indígena
(TI) Escondido. O município possui 9 mil km2, compostos por Unidades de
Conservação, assentamentos, áreas particulares e TIs.
O objetivo do projeto, que conta com o apoio do Instituto
Centro de Vida (ICV), é implantar uma nova trajetória socioeconômica e
ambiental no município, com atividades que permitam a manutenção da floresta,
através da redução do desmatamento e da degradação florestal graças ao
desenvolvimento de atividades produtivas com menos impacto sobre os recursos
naturais e ações de governança ambiental.
Rodrigo Marcelino, analista socioambiental do ICV e
responsável pela atividade, explica que o trabalho consiste na elaboração de um
plano de gestão ambiental e territorial da TI. Assim, o primeiro passo, chamado
etnomapeamento, que identifica lugares de grande valor histórico, ideológico e
com recursos naturais utilizados em práticas cotidianas da etnia, foi
finalizado com a ajuda de anciões de outras aldeias Rikbaktsa.
Na sequência, serão realizadas as oficinas de avaliação
ecológica que consistem em analisar a situação atual dos recursos naturais
utilizados e seu manejo, além de identificar as potencialidades de geração de
renda. A partir daí será construído o etnozoneamento da TI, pelo qual serão
pensadas ações estratégicas para cada zona que poderão ser implementadas no
curto, médio e longo prazo.
Todas essas atividades exigem muito trabalho e cuidado para
que sejam desenvolvidas de forma participativa e colaborativa, de modo que as
pessoas envolvidas sejam protagonistas na busca de soluções, relata o analista.
Além disso, esse ponto é fundamental para a integração das áreas protegidas no
município de Cotriguaçu e no Estado e, no caso da Terra Indígena, na busca de
autonomia através do planejamento e gestão de seu território, aspecto
imprescindível para a elaboração de um diálogo intersetorial eficiente.
Nesse sentido, Raimundo Iamonxi, morador da aldeia e membro
do Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA) de Cotriguaçu, foi eleito
representante da região noroeste para o desenvolvimento rural sustentável
indígena para participar do Fórum Estadual. Ele explica que é importante que a
aldeia possa ser representada nos diferentes espaços da sociedade e que sua
situação seja conhecida e compreendida para que possa preservar seus direitos e
tradições.
Rodrigo ressalta que todas as atividades de construção do
plano de gestão são também oportunidades para a etnia se fortalecer
culturalmente, resgatando suas histórias e costumes, como com a construção do
makyry ou "rodeio" (a casa dos homens), que ocupa um lugar central na
aldeia, resgatando um aspecto cultural, tradicional e histórico.
E para construir estratégias que viabilizam a geração de
renda no curto prazo para a comunidade, a aldeia vem articulando, junto com
parceiros locais, a venda de castanha beneficiada para a merenda escolar. Dokta
Rikbakta, cacique da Aldeia Babaçu, espera que todo este trabalho e esforços
permitam garantir os direitos, a proteção do território e a dignidade desse
povo. (Com Andrés Pasquis/ICV – Fotos: Amazônia Sem Fogo e Funai)
Fonte: Sandra Carvalho - Da Editora

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